FAQ

Perguntas & Respostas – Entrevistas – Comunicação

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1. O que é um Fórum Territorial?

Uma das frentes de atuação do GT COVID-19 UFRJ MACAÉ está relacionada aos esforços de se estabelecer uma cooperação com municípios do Norte Fluminense e a da Baixada Litorânea. Inicialmente foram estabelecidos contatos com gestores municipais, profissionais de saúde e movimentos sociais, atores que já tinham história de participação em projetos de nossa Instituição, para formar um primeiro coletivo de trabalho que desse visibilidade às principais potências e necessidades dos diferentes territórios.

Como produto deste primeiro movimento formou-se um Fórum dos Territórios em Enfrentamento da Pandemia COVID-19 na área de abrangência estatutária de nossa Instituição (Norte Fluminense e Baixada Litorânea), que tem se reunido semanalmente. Este coletivo é aberto à participação voluntária de diversas frentes de trabalho (até o momento temos representantes do COSEMS, SMS/municípios, Movimentos Sociais, profissionais e equipes de serviços, entre outras).

Esclarecemos que tal Fórum não se trata, obviamente, de um espaço intergestores, não tem a pretensão e nem a institucionalidade para deliberações oficiais e pactuações regionais, mas um espaço que chamamos “inter-atores”, fórum aberto e permanente para somar, contribuir com os espaço institucionais já existentes.

2. A Prefeitura tem usado os dados produzidos pela UFRJ Macaé?

Temos feito diálogos com a Prefeitura de Macaé mas ainda não foi oficializada a parceria, estamos aguardando a resposta da Prefeitura. 

3. Há articulação privada?

Sim, estamos em contato com médicos da região que trabalham nos hospitais da região.

4. Como o Sub-Grupo de Informação em Saúde pode ajudar? O que é?

É um Núcleo de Informação em Saúde Interinstitucional com o objetivo que realizar o processamento e a análise dos dados a partir das melhores fontes disponíveis para produzir as evidências possíveis e necessárias às decisões a fim de qualificar a produção do cuidado dos usuários portadores do Covid-19 e fazer projeções da pandemia na região.

5. Quais são as frentes de trabalho do sub-grupo?

  • Estabelecer rotina de divulgação de informações epidemiológicas e de prevenção para controle da doença. 
  • Diagnosticar da situação de trabalho da vigilância em saúde como recursos humanos, insumos e tecnológicos.
  • Analisar os dados de barreiras sanitárias
  • Análise epidemiológica dos dados divulgados pela Prefeitura no seu site, boletins epidemiológico e outras fontes de informação
  • Tornar o processo mais ágil, digital e efetivo
  • Propor uma sala de situação COVID-19 na região Norte Fluminense e Baixada Litorânea  para compreender em tempo real a propagação da COVID-19 no local/região.
  • Aprimorar a informação de número de casos, infectados, recuperados e óbitos por coronavírus. 
  • Elaborado o formulário no Google Forms a partir das fichas de notificação e síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave em pacientes hospitalizados.

6. Há indicação de isolamento social?

Sim, há indicação de isolamento social pois estamos em fase de aceleração da pandemia. É necessário criar e ampliar as ações de prevenção do contágio comunitário, evitando que haja sobrecarga dos serviços de saúde.

PERGUNTAS PARA OS PROFISSIONAIS DA UFRJ PARA A REPORTAGEM DA TV RECORD 

1. Como os pesquisadores analisam as medidas do Poder Público adotando restrição de Isolamento e fechamento dos comércios desde o início da Pandemia?

Há indicação de isolamento social pois estamos em fase de aceleração da pandemia.

O comércio deve permanecer fechado, só funcionando o que é fundamental para a vida nos territórios e adotando medidas de higiene e proteção como uso de máscaras. Lembrando que as máscaras de tecido reduzem o risco, mas não garantem totalmente a proteção contra a contaminação. Só abrir quando tivermos controle no contágio comunitário, aí sim podemos flexibilizar.

2. Existe um panorama aproximado de cenário epidemiológico futuro para Macaé e Norte Fluminense?

No Brasil, o primeiro caso confirmado de novo coronavírus pelo Ministério da Saúde ocorreu no dia 26 de fevereiro, em São Paulo. O caso notificado foi de um homem de 61 anos que procurou atendimento no Hospital Israelita Albert Einstein, com histórico de viagem para Itália, região da Lombardia (Brasil, 2020). Desde então, houve aumento do número de novos casos por todo o país. 

Em Macaé, o primeiro caso confirmado foi quase um mês depois, no dia 27 de março.

E passado 01 mês (27 de Abril), estávamos com 104 casos confirmados, passando a mais de uma centena de casos, somado o setor público e na saúde suplementar. Hoje, dia 26 de maio, já temos 660 casos e 25 óbitos.

3. Após o estudo e análise realizados pelos profissionais da UFRJ,  a cidade apresenta uma curva crescente?

Em relação aos óbitos de Macaé, no dia 06 de abril, houve o registro do primeiro óbito, tratava-se de um idoso com comorbidades. Até a data do dia 27 de abril a cidade contabiliza 10 óbitos. Tivemos ainda 920 casos de síndrome gripal e 40 casos moderados e graves como os casos de síndrome respiratória aguda grave – SRAG encaminhados para o Hospital Público de Macaé, os casos estão aumentando dia a dia. Portanto, Macaé ainda está em fase de aceleração da pandemia.

Estamos realizando projeções temporais e em breve será disponibilizado os estudos.

Para mais detalhes ver Nota Epidemiológica n.01 disponível no site da UFRJ Macaé.

4. A partir do estudo, foram explorados que tipo de cenários? Como foi feito essa estimativa? Esse pico exponencial tende a aumentar ainda mais?

Nós partimos dos resultados obtidos para o Brasil pelo grupo de pesquisa do Imperial College e calculamos o que os vários cenários explorados significariam para o estado do Rio de Janeiro e para o município de Macaé. Esse panorama de cenários possíveis pode ajudar o poder público e a população a entenderem de forma mais próxima e concreta o que está em jogo, o que precisamos fazer, como podemos nos preparar. Um dos cenários é quando se restringe a propagação do vírus através de um alto isolamento social já bem no início. É o cenário de consequências mais amenas. Outros cenários nos quais há menos distanciamento social tem consequências para o número de infectados, hospitalizados e mortos bem mais graves.  Por exemplo, a no cenário de maior mitigação da epidemia poderemos ter dezenas de óbitos numa cidade como Macaé, já em cenários com menor distanciamento social poderemos ter centenas de óbitos. A diferença de impacto nos vários cenários é muito grande. No entanto a dinâmica real da epidemia em cada localidade é algo bastante complexo e dada as incertezas existentes, não podemos afirmar com certeza com base em modelos quando estaremos no pico da pandemia. As indicações são de que ainda não chegamos nele. 

https://www.macae.ufrj.br/index.php/184-artigos-em-destaque/3053-estimativas-de-cenarios-em-saude-para-a-pandemia-de-covid-19

5. Por que o grupo resolveu fazer análise na cidade de Macaé?

Inicialmente, começamos a analisar a pandemia no Observatório de Saúde de Macaé e depois juntamos um coletivo de docentes para analisar os dados de Macaé pois a universidade está localizada no município e já trabalhamos em diversas frentes com a Secretaria de saúde como projetos de extensão e pesquisa. 

PERGUNTAS PARA OS PROFISSIONAIS DA UFRJ PARA A REPORTAGEM DA INTER TV

1. Quando foram iniciados os trabalhos em Macaé?

Os trabalhos do GT foram iniciados no dia 30 de março.

2. Como está a situação na cidade, já que segundo as autoridades de saúde, estamos no início da curva de contágio. Há motivos para se preocupar?

Macaé adotou bastante cedo medidas de mitigação em relação à pandemia do Covid-19, então podemos adotar o modelo de restrição mais intensa e precoce como paradigma para a cidade. No pico da pandemia neste cenário é previsto algo como quase uma centena de internações, sendo duas dezenas de casos graves, potencialmente necessitando unidades de terapia intensiva.

Mas nada indica que as medidas adotadas foram suficientes para diminuir o achatamento da curva epidemiológica. O que vemos é um aumento acelerado no números de casos confirmados e óbitos, o que indica que ainda persistem no município uma expansão da transmissão comunitária, o que é um motivo de preocupação.

3. O grupo monitora o índice de isolamento social no município? Porque pelo que vemos, as pessoas estão saindo de suas casas, se aglomerando, por exemplo, em filas de banco, indo à praia aos finais de semana, etc. Como está o índice de isolamento social na cidade. Qual o índice ideal  em Macaé ?

Os dados obtidos do índice de isolamento de Macaé mostram que em média este índice é de 48,65% ate a ultima aferição em 11 de maio. 

4. No ponto de vista de vocês, a cidade adotou as medidas certas de prevenção à doença? Adotou as medidas no período certo? Ou seja, houve atraso de determinar a quarentena e o distanciamento social?

Sim, Macaé adotou bastante cedo medidas de mitigação em relação à pandemia do Covid-19.

5.  A cidade, segundo a prefeitura, já registra 11 casos confirmados da Covid-19. Estamos nos aproximando do frio. A tendência é que os casos aumentem no período de inverno?

A cidade de Macaé registrou 21 óbitos confirmados da Covid-19 e 589 casos confirmados em 22 de maio. O aumento dos casos confirmados e dos óbitos é dependente da manutenção das medidas de isolamento social. Ou seja, independente do clima, o número dos casos estará diretamente relacionado a manutenção das medidas de isolamento social. 

6. Na opinião de vocês, é a hora de afrouxar o isolamento, ou seja, liberar parcialmente, por exemplo, o funcionamento do comércio? Já dá para falar em retomar a rotina?

Os indicadores monitorados pela universidade mostram que Macaé vem apresentando uma curva ascendente de crescimento do número de casos confirmados de COVID 19, e de  óbitos. Ultrapassamos 500 casos confirmados) chegando a 21 óbitos, mesmo considerando que são dados subnotificados.

Portanto, nesse momento, nada indica que as medidas adotadas foram suficientes para diminuir o achatamento da curva epidemiológica. O que vemos é um aumento acelerado no números de casos confirmados e óbitos, o que indica que ainda persistem no município uma expansão da transmissão comunitária, o que é um motivo de preocupação. Portanto não é o momento de se afrouxar as medidas de isolamento.

7. O que é vínculo epidemiológico? Adotado como diagnóstico?

É a denominação que se dá ao histórico de contato próximo ou domiciliar, nos últimos 7 dias antes do aparecimento dos sintomas, com caso confirmado laboratorialmente para COVID-19 e para o qual não foi possível realizar a investigação laboratorial específica.

8. Onde são publicados os boletins epidemiológicos?

Os boletins epidemiológicos utilizadas pelos nossos estudos são publicados nos sites oficiais do Ministério da Saúde, da Secretarias de Estado da Saúde do Rio de Janeiro e no site e redes sociais da Prefeitura Municipal de Macaé.

9. Para quando está previsto o pico?

Só podemos dizer que o número de casos confirmados está crescendo, o que indica a expansão da transmissão comunitária, mesmo com as medidas já todas de isolamento social. No momento não temos como prever quando será o pico. Só podemos afirmar que ele é dependente da intensificação ou relaxamento das medidas de isolamento social, uso de máscaras, cuidados com a limpeza das mãos e dos produtos que entram em casa, entre outras.

10. A taxa de mortalidade no Brasil pela Covid-19 é de 12/1.000.000 de habitantes,
até 19 de abril de 2020. Em Macaé, a taxa de mortalidade, até a mesma data, é de 16/1.000.000, 50% da média nacional. É correto dizer que a taxa em Macaé é 50% acima da média nacional?

Sim, é possível dizer que Macaé está com a taxa de mortalidade acima da média nacional.

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